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Home Emídio - Lista de Artigos Abstinência Sexual, Celibato e Castidade

Abstinência Sexual, Celibato e Castidade

Abstinência Sexual, Celibato e Castidade

Pelo fato de o sexo ser uma atividade intermediária entre a necessidade física e a psíquica, o ser humano pode, quando quiser, se abster das relações sexuais; mas, se deseja isso, deverá traçar um plano de vida a fim de que não caia em desequilíbrios. Existem, porém, casos em que isso não é uma opção, em que um dos cônjuges, depois de certo tempo de convivência, sofre uma enfermidade ou deformidade que o impede de se relacionar sexualmente com o outro, caso em que, se forem muito jovens, fica difícil saber qual deve ser a postura mais adequada para cada um dos cônjuges.



Analisando melhor, percebe-se que esse caso específico constitui um desafio, porquanto o sofrimento de um exigirá o sacrifício do outro. E quanto maior for a força dos sentimentos, maior será a satisfação de quem renuncia por amor. Sabe-se que a vida sexual não deve ser a principal razão de uma união conjugal.

Mas, apesar de em muitos casos isso funcionar, muitas mulheres e homens sentem-se impossibilitados de assim permanecer, achando que seria mais do que justo que eles procurassem outra pessoa apenas para a satisfação sexual sem envolvimento afetivo (como se isso fosse possível!). É preciso voltar a mente para outro lado e perceber que, se houver compreensão em face do sofrimento e um esforço para dominar a própria natureza, certamente ele perceberá que tal sacrifício é uma oportunidade para se devotar com mais intensidade ao trabalho em prol do próprio amadurecimento, de acordo com a sua aptidão e interesse. No entanto, esse relacionamento, embora não pareça de conformidade com a reprodução, pois há um celibato compulsório, não deve ser entendido como fruto do acaso, mas de razões que por vezes escapam a uma percepção apenas voltada para os efeitos de ordem fisiológica. O amor, tão bem infiltrado no mecanismo da reprodução, dispõe de recursos capazes de sublimar, sem prejuízo do equilíbrio psíquico, físico ou emocional, a energia sexual reprodutora e a libido, modulando-as a um nível de criação e realização psíquica. Não é o aniquilamento ou sacrifícios contrários ao nível de consciência de cada um, mas a contribuição para transformar uma união de natureza física em uma união moral.

Existem, por outro lado, os casais que optam pela abstenção sexual depois de alguns anos de casamento, embora não exista qualquer tipo de impedimento para que isto ocorra, ou mesmo para dar cumprimento a atividades que exijam muita energia física e mental. Essa não é uma atitude recriminável, desde que esta opção constitua um sacrifício que fazem tendo em vista o bem e sem qualquer idéia egoísta.

Muitos confundem celibato e castidade. Celibato é o estado do homem ou da mulher que se mantém solteiro ou solteira, sem estabelecer qualquer compromisso de natureza matrimonial.

Nem todos que se abstêm de quaisquer manifestações sexuais são celibatários porque, mesmo no casamento, poderá haver por tempo determinado ou definitivo a abstenção sexual. O estado de celibato está relacionado exclusivamente ao fato de alguém manter-se voluntária ou involuntariamente solteiro ou solteira, permanecendo independente de qualquer compromisso de ordem afetiva que gere responsabilidade de natureza matrimonial, podendo abster-se ou não de manifestações ou relacionamentos sexuais.

A castidade, porém, é o estado de equilíbrio psicológico, que envolve harmonicamente, as manifestações psíquicas, emocionais e fisiológicas, as quais influenciam ou sofrem as influências das energias sexuais.

A castidade não está relacionada à abstinência sexual, ao casamento ou ao celibato, mas à condição psicológica que lhe faculte o necessário equilíbrio e a indispensável harmonia entre as manifestações das energias sexuais. Mas, para alcançar esse ponto, é preciso conduta reta, disciplina afetiva, operosidade no bem, esperança decorrente do perfeito entendimento da natureza de todas as coisas, meditação sadia, indulgência, equilíbrio físico e mental.

A abstenção sexual decorrente do celibato constitui sacrifício meritório, que vem a confirmar a postura do celibatário assumida em prol da coletividade, tendo em vista o bem e a justiça, sem qualquer idéia egoísta.

Na verdade, quando o casamento está firmado nas bases sólidas do amor, do respeito e da confiança mútua entre o casal, ainda que os cuidados em relação aos filhos exijam tempo e dedicação, muito se poderá contribuir para o bem da humanidade, sem maiores riscos de natureza sexual e psico-emocional, os quais podem surgir ou se acentuar com o celibato.

Entretanto, antes de se recorrer definitivamente ao estado de celibato, é preciso que se compreenda a necessidade de considerar os inúmeros recursos que poderão auxiliar na escolha do companheiro ou da companheira de ideal, através do vínculo esponsalício. Os casamentos problemáticos surgem em decorrência do predomínio da natureza material sobre a natureza psicológica. Quanto mais se buscarem os valores éticos acima dos valores materiais, tanto menos se experimentarão as fadigas e os desassossegos desnecessários, que possam advir durante a convivência matrimonial.

O que faz muitos celibatários fracassar é, muitas vezes, a ausência da devida condição psíquica de permanecer em disciplinada abstinência sexual e necessária disposição ética para alcançar a castidade, surgindo assim sofrimentos que poderiam ser evitados.

Cabe lembrar que, mesmo quando o celibato é imposto por alguma condição seja física ou psíquica, esse celibato involuntário não justifica qualquer abuso ou atitude irresponsável em torno da sexualidade. Afinal, o melhor mesmo é ser casto, independentemente de estar ou não casado, de abster-se ou não da vida sexual.

Existem pessoas que sofrem com as incompreensões por parte de parentes ou mesmo da sociedade, por quererem manter-se celibatárias. Isso é o resultado da ignorância ou da não aceitação das diversas razões de natureza ética, psíquica, emocional e fisiológica que podem levar o indivíduo a esse posicionamento.

A castidade, a qual resulta da observância do compromisso moral, é ainda conseqüência da harmonia psico-emocional que envolve as energias sexuais, cujo equilíbrio depende da vontade e persistência do indivíduo. A abstinência ou a atividade sexual não obstaculizam o equilíbrio da sexualidade, quando exercidas com responsabilidade moral e respeito a cada ser humano. 

A castidade é uma virtude adquirida através do esforço contínuo para ser a cada dia melhor.

A natureza é sábia em suas manifestações e por isto determina que seus limites sejam respeitados. O prazer experimentado durante o relacionamento sexual não é contrário à castidade, quando acompanhado da responsabilidade. Entretanto, com a presença da sensualidade, do desamor ou do egoísmo, o prazer sexual transforma-se em lamentável fonte de enganos, angústias, tormentos físicos e morais.

 

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