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Pigmalionismo
O pigmalionismo é um desvio sexual que se baseia na admiração exagerada e patológica pelas estátuas. O amor às estátuas é também denominado estatuafilia, a atração sexual, iconolagnia ou iconoania e sua profanação, estatuaestupro. Isto ocorre em decorrência de forças eletromagnéticas projetadas sobre objetos que podem exercer grande atração de natureza diversa, incluindo afetividade e atração sexual no caso de estátuas exóticas e esculturas de seres humanos, feitas com rigorosa precisão e beleza artísticas. Espíritos imperfeitos, ainda ligados à matéria e à sensualidade podem influenciar hipnoticamente para a existência desse desvio. Também carências afetivas e sexuais em alto grau, manifestadas por uma mente desajustada pelo desequilíbrio ou pelo atraso moral, fazem-na assimilar o erotismo ou a beleza escultural de obras artísticas desse gênero, constituindo-se numa fonte receptora de forças eletromagnéticas e de outras mentes que vibram em faixas de pensamentos mais ou menos similares.
Segundo a lenda da Grécia antiga, Pigmalião foi um escultor da ilha de Chipre que se apaixonou pela estátua de Galatéia, que ele próprio fizera e que desposou, após haver conseguido que Vênus lhe insuflasse vida. Mas o pigmalionismo não ocorre somente naqueles artistas que esculpem e se apaixonam por suas estátuas. Há realidades que são transformadas em lendas, e lendas que são consideradas verídicas, porquanto refletem a realidade. Esse episódio lendário manifesta-se no dia-a-dia, a cada momento e certamente ocorreu, em circunstâncias diferentes, com diversos escultores da Grécia antiga, sem que houvesse a humanização real das estátuas, embora suas imagens fossem mentalmente humanizadas por seus escultores, que as idolatravam ou divinizavam. É preciso considerar, porém, que esse desvio não ocorre tão-somente com aqueles escultores ou artistas que esculpem ou idealizam suas esculturas e obras artísticas. Homens e mulheres suscetíveis a esse desvio poderão agravar os seus estados psíquicos e emocionais com essa prática, ainda que nada conheçam de escultura.
A beleza das formas do corpo físico e demais características psicológicas e espirituais, projetadas numa escultura e representadas numa estátua, poderão criar a ilusão da presença ou despertar a lembrança de alguém que se venera e admira, ou até mesmo induzir à sensualidade devido à perfeição da nudez, esculpida ou subentendida de diversos modos. A arte de expressar a Natureza, interiorizada ou sentida, em seus diversos aspectos, acompanha os seres humanos desde os primórdios das eras pré-históricas. A evolução intelecto-moral também proporciona o aprimoramento da sensibilidade artística em todas as suas manifestações. No entanto, é preciso que através da arte, também se busque a espiritualidade que comove, instrui, desperta, consola, pacifica e robustece para o bem. A perfeição da técnica e a genialidade devem estar sintonizadas com a percepção dos valores morais que espiritualizam e conduzem à Sabedoria. Artistas e admiradores da Arte devem respeitar o direito natural da criatividade para edificar e enobrecer, sem para isto agredir o estado psico-emocional ou insuflar qualquer tipo de pensamento ou de ato contrários ao equilíbrio espiritual, ou mesmo sem transformar a admiração pelo Belo num encantamento depreciativo que leve à sensualidade, ao desamor, a gastos onerosos, a tramas perigosas, a crimes hediondos, e a desvios ou anomalias sexuais.
A adoração de imagens cultuadas por religiosos, mencionada de forma proibitiva nos Dez Mandamentos, não guarda qualquer relação com o pigmalionismo. A reverência e o culto a essas imagens ou esculturas é um dos estágios primários de devoção e obediência, estabelecidos pela Lei Moral de Adoração para aqueles que ainda não aprenderam a adorar em Espírito e Verdade a “Inteligência Suprema, Causa Primária de todas as coisas”, que é Deus. O pigmalionismo está diretamente ligado à satisfação de carências ou desajustes afetivos e sexuais, sem correlação com a fé religiosa, inspirada por esculturas de deuses e santos.
O interesse pelas cenas e imagens eróticas é normal e natural quando não se torna uma paixão absorvente, como, por exemplo, no caso do pigmalionismo. Isto provém do instinto da natureza animal que ainda existe no ser humano, vinculado a provas e expiações primárias, mas que tende a evoluir, transformando-se a serviço da natureza espiritual.
Não é certo pensar que o pigmalionismo é uma forma de necrofilia bastante rara. Isto porque o necrófilo não prescinde do corpo cadavérico para o relacionamento sexual sem resistência, e o pigmalionismo nem sempre é caracterizado pela profanação da estátua.
A atração sexual pelas estátuas ou iconolagnia, sempre ocorrida em interiores de museus, em parques e jardins, tem levado certos indivíduos à prática de masturbação, em lugares ermos ou mais recatados, fato que comprova a forte atração exercida por certas estátuas desnudas de determinados seres humanos. Mas não se deve afirmar que todo indivíduo que age desse modo é um psicopata, mas a atitude é psicopática devido ao próprio conceito de psicopatia. É preciso considerar que há atitudes, caracterizadas por desequilíbrio mental e moral, que nem sempre constituem hábito adquirido ou assimilado. O estado primário em que ainda se encontram as ciências psíquicas, devido à indiferença à realidade das leis morais e de natureza espiritual dos seres humanos, tem contribuído para uma análise periférica ou superficial, sempre precipitada em julgamentos ou diagnósticos ligados ao efeito, sem considerar a causa. Observe-se a causa espiritual de certas atitudes e se verá que nem sempre uma atitude psicopática vem de um indivíduo psicopata.
Não se pode afirmar que todos os casos de profanação de estátuas é de natureza patológica. Tal afirmativa resulta de uma tese materialista que reflete o desconhecimento da natureza moral do Espírito, a qual atua em seu sistema orgânico de diversos modos.
Diversos efeitos podem levar alguém a sentir uma forte paixão por uma estátua: assimilação anímica e até mesmo mediúnica das forças eletromagnéticas plasmadas na estátua por esse indivíduo ou por outros admiradores; problemas de ordem afetiva; soledade; obsessões espirituais; identidade psico-emocional e espiritual pelo ser representado na estátua; um alto grau de carga erótica em desordem; influência hipnótica de Espíritos imperfeitos ligados à estátua, ao museu ou ao lugar onde ela se encontre; desajustes psico-emocionais de diversos graus; uma sensibilidade artística mal direcionada e descontroles emocionais de natureza diversa. É preciso mais uma vez lembrar que o atraso, o desequilíbrio ou o desajuste moral são a causa primária de todos esses efeitos.
É possível que alguém sinta determinado afeto por uma estátua de um ente querido vinculado a alguma existência corpórea pretérita ou à atual. É natural a admiração por uma obra de arte, principalmente quando um ente querido está sendo homenageado através dela, ainda que isto ocorra devido à ação do subconsciente em virtude de ligações de vidas passadas, por uma afinidade de idéias e ações, ou por haver um vínculo atual com quem está sendo exaltado pelo gênio artístico. No entanto, essa admiração não deve ser transformada em fixação psíquica ou emocional, que origine ou acentue o pigmalionismo.
É possível ainda um objeto ou uma obra de arte refletir forças magnéticas ou eletromagnéticas de alguém que, próximo ou distante fisicamente, projete tais forças através do pensamento ou de energias psicossomáticas, plasmadas de diversos modos. O magnetismo e o eletromagnetismo têm propriedades que a ciência ainda desconhece. As forças eletromagnéticas e magnéticas manifestam-se de infinitas formas: assim como podem atuar no mundo material corpóreo ou extracorpóreo, também fazem parte do sistema orbital das leis morais, que regulam o mundo moral. A Lei Natural que representa essas leis morais da vida é regulada por uma espécie de força eletromagnética quintessenciada, que ainda não se pode compreender ou demonstrar em razão do atraso intelecto-moral. Essa força eletromagnética não é de natureza moral, mas regula e determina a órbita e a ação da Lei Divina, conforme as manifestações do processo evolutivo individual ou coletivo. A Inteligência Universal é o elemento gerador desse complexo por onde transita a vontade de Deus que são suas leis. Essa vontade divina transforma-se em leis, somente quando entra em contato com o sistema orbital traçado pela Inteligência Universal, através do eletromagnetismo que se pode denominar eletromagnetismo universal, gerador de todas as formas eletromagnéticas conhecidas e das ainda desconhecidas pela ciência. As vibrações eletromagnéticas, emitidas nos diversos graus de evolução intelecto-moral, podem estar em harmonia ou em desarmonia com a órbita eletromagnética das Leis Divinas que são imutáveis, mas dinâmicas e cíclicas; e essas forças do pensamento possuem propriedades atômicas ainda desconhecidas. São capazes de atuar sobre os átomos visíveis da matéria grosseira de diversos modos. Esses elementos atômicos da força eletromagnética da individualidade espiritual podem modificar as vibrações moleculares dos corpos, plasmando neles não apenas o fluido material, mas também o fluido moral que o acompanha. Isto ocorre porque forças atômicas do pensamento são mais poderosas que as forças atômicas dessa matéria visível à observação dos sentidos humanos. Todas essas forças, porém, devem estar em harmonia com o sistema orbital do eletromagnetismo universal, sob pena de infringir leis infinitamente perfeitas e justas, as quais estão presentes nas ações mais insignificantes que se pode conceber. É preciso ainda dizer que as forças eletromagnéticas da estrutura atômica da matéria é o resultado da ação invisível do eletromagnetismo universal. O átomo é o resultado de múltiplas modificações da estrutura atômica de outras formas que se originaram de outras múltiplas modificações da matéria primitiva ou elementar. No futuro, a ciência poderá calcular a energia moral, através do sistema orbital do eletromagnetismo universal e demonstrar, finalmente, o funcionamento das leis morais de Deus. Forças físicas reagem diante de forças morais, mais poderosas e eficazes. Quem estiver numa sintonia moral superior, captará sublimes ondas eletromagnéticas espirituais e poderá emiti-las, harmonizando o seu ambiente físico e mental, plasmando-as nos objetos, lugares, plantas, animais e nos seres humanos, numa irradiação que se estende ao infinito ou até o limite dessa irradiação eletromagnética/moral. Quem estiver numa sintonia moral primária ou inferior igualmente plasmará vibrações que modificarão desordenadamente a estrutura eletromagnética regente de forças eletromagnéticas ou magnéticas inferiores, as quais formam a estrutura molecular dos corpos. Como disse Jesus:
Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas. Portanto, caso a luz que em há em ti seja trevas, que grandes trevas serão!